Terça-feira, Junho 07, 2011

Sûr des choses que j'ai gardée...

C'est drôle la vie. Quand on est gosse, le temps n'en finit pas de se traîner et puis, du jour au lendemain, on a comme ça 50 ans. Et l'enfance, tout ce qu'il en reste, ça tient dans une petite boîte. Une petite boîte rouillée.

Por que as coisas são incrivelmente grandes quando você é pequeno e incrivelmente pequenas quando você é grande?
Será que a grandiosidade das coisas está relacionada com a importância com que damos a ela?
A medida que os anos vão passando, as coisas velhas da infância vão se tornando longíquas, distantes... E então, você se acostuma com as viseiras de querer sempre mais e mais, mais...
Mas se queres bem saber meu bem, eu prefiro mesmo é a infância da criança, prefiro mesmo é trocar moedinhas por um pacote de figurinhas, prefiro mesmo são as tardes contando os carros a passar, prefiro mesmo é não ter muita coisa a fazer mas pensar que 24 horas seriam insuficientes, prefiro mesmo é olhar para quatro direções e até para o céu ao atravessar a rua (vai que um avião caia), prefiro mesmo é colecionar bolinha de gude, prefiro mesmo é não gostar de foto 3x4, prefiro mesmo não ter medo de escuro, prefiro mesmo o doce dos guarda-chuvinhas de chocolate, prefiro mesmo é andar num carro antigo lotado de pesoas acelerado e não usar cinto de segurança, prefiro mesmo é imaginar seres incomuns nas nuvens, prefiro mesmo é ouvir creedence no toca-discos, mamonas no toca-fitas e um tal de beatles no walkman, prefiro mesmo a caverna do dragão, os cavaleiros do zodíaco e conseguir fazer o tal do golpe "babalit" no street fighter, prefiro mesmo é não dar a mínima pro garoto mais bonito da escola só porque ele se acha o melhor, prefiro mesmo é esperar meu pai chegar com um tanto de joguinhos e ainda à noite receber um abração, prefiro mesmo é ir no mineirão e gritar "ô meu pai, eu sou cruzeiro meu pai", prefiro mesmo é dizer "bença" porque alguém me ensinou isso, prefiro mesmo é imaginar ser grande e ficar com medo de me tornar meus próprios pais um dia, mas admitir que eles sempre foram os melhores pais do mundo, prefiro mesmo é discutir com meu irmão por um motivo banal mas depois de dez minutos, fazer as pazes por algo em troca (vulgo suborno), prefiro mesmo a doçura da infância, prefiro mesmo um tanto de recordações nostálgicas, prefiro mesmo, enfim, estar aqui hoje e ir escrevendo escrevendo escrevendo...

Domingo, Abril 10, 2011

São tempos difíceis para os sonhadores...

- Autrement dit, elle préfère s'imaginer une relation avec quelqu'un d'absent que de créer des liens avec ceux qui sont présents...
 -Non! même qu'au contraire elle se met en quatre pour arranger les cafouillages de la vie des autres... 
-Mais elle? Les cafouillages de la sienne de vie? Qui va s'en occuper?
-
- Ela prefere imaginar uma relação com alguém ausente do que criar laços com aqueles que estão presentes...
- Não! pelo contrário. Talvez faça de tudo para arrumar a vida dos outros...
- E ela? E as suas desordens? Quem vai pôr em ordem?


(...)

Quinta-feira, Março 31, 2011

De ti para ti...

Não suporto terceiras pessoas, é verdade, gosto de primeira, nada de segunda ou terceira.

Sim sou torta, errada, não sei nem onde me esqueci, mas isto também não importa, um dia alguém me encontra, e quem sabe este dia - dia esperado, muito mais que nove meses, toda uma desistência; imagina você..., pois bem, neste dia, quando me encontrarem, nos olhinhos verei, … este cabelinho de fiozinhos quebrados - este rostinho _ “tão linda, branquinha, com estas mãozinhas finas sobre a face, de alguém que não fez muito”, ensaiamos diálogos amigos, convincentes, todas as lágrimas que pensei em derr-amar.

Ai meus olhinhos que um dia me enamora-riam.

Quem pode, em sã consciência viver sem amor, diriam todos, em coral, refrão de Godard, gritem, vamos lá… vamos prevér-t o grande momento - todos os passos em rastros, desfilando asinhas. Repetições de esconde-esconde, pintadinhos de cor de rosa, alguns em azul nil, brincam de sobre-viver.

Domingo, Março 20, 2011

Et coetera

Eu gosto de usar etc nas coisas, sempre gostei de etc. E de reticências.

Mas agora percebo, há momentos em que somente o e.t.c. não consegue expressar.
Não tudo.

Domingo, Fevereiro 13, 2011

Sobre o retrato de Julienne De Labarth


Contemplei o retrato daquela mulher. A "sombriedade" de seu semblante proporcionava-me certo assombro e ao mesmo tempo, desejo. Por vezes pensei no quão agonizante tornava-se admirar aquele sorriso angelical após perceber a distância daquele par de olhos azuis.

Julienne trajava-se perfeitamente. Nenhuma dama de sua época poderia comparar-se a ela se junto à indumentária vermelha de veludo, portasse a preciosa pedra de rubi, labidada há trezentos anos antes do seu nascimento. Certamente a cor de seu vestido fazia reluzir ainda mais o brilho de seus desdenhosos olhos azulados.

E os cabelos? Ah, aqueles cabelos... Sedosos cachos de fios dourados caíam de sua cabeça, repousando serenos em seus ombros descobertos. Como os cabelos, sua pele clara era tão sedosa que qualquer homem poderia cair na tentação de saborear a maciez superficial, assim como Adão que traíra as ordens de seu Senhor.

A boca e o nariz, tão singelos que pareciam ter sido esculpidos pela mesma mão, a golpes precisos de cinzel. No entanto, o conjunto da obra, a pele macia, os voluptuosos lábios rosados, os olhos claros, as longas madeixas louras e até a curvatura de seus cílos, forneciam uma imagem tão estranha e ainda tão linda, que eu, pobre servo, jamais poderia sonhar em ter junto a mim essa minha senhora Julienne, que por vezes curou as crianças com as ervas cultivadas em seu próprio jardim e morrera queimada no auge de suas trinta e cinco primaveras, vítima de uma banal acusação.